sexta-feira, 17 de outubro de 2008

... o que você faria se só te restasse um dia?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Introdução

A intenção de tentar ser mais claro, mais óbvio. Romper as barreiras do que não se deve falar e do que não se deve fazer. Um rompante de adolescência em quem achou que já era simplesmente adulto.
O tom de revolta, auto-revolta, das lições erradas que se aprendem. Do que não vale nada se não houver um mínimo de atenção, um mínimo de reflexão e auto-análise. Não é só a golfada atordoada de alguma coisa asquerosa, mas pode ser também um broto com uma única folha que tenta enraizar no mundo todo, algo pequeno com potencial de virar um algo maior.
A unidade que é a vida, independentemente dependente de tudo que lhe cerca, e a consciência de quão solitário pode ser querer fazer ou ser alguma coisa. Quão único...
A solidão, sendo apenas um jeito de analisar a seqüência de fatos. Um jeito de contar uma trajetória, sem considerar o que o resto do mundo fazia para modificar o rumo das coisas.
Às vezes, é mesmo necessário sair um pouco de si para enxergar as coisas como elas são. Não tão importantes, é o que são e nada mais.
As explicações, as ações, as emoções, são todas também tão cheias de possibilidades que seria um erro dizer os errados. Ignorando algumas possibilidades, não podemos generalizar nem definir.
Nosso tesão é movido a células cerebrais oxidadas, mortas, enterradas, na busca incessante de algo que seja maravilhosamente odioso como sempre sonhamos.
Enganamos-nos. Dizemos que não queremos nada, que não precisamos de ninguém e, no fundo, dói-nos. E acabamos por nos encontrar com nadas e ninguéns levianos demais para o nosso pesar. Acabamos nos encontrando em algum lugar onde ninguém deveria nos julgar e julga, e fere-nos, mas sorrimos. Achamos que podemos ensinar nossa ignorância aos que nos cercam e, finalmente nos entendermos.
Pecamos, se houver pecados. Arrependemo-nos, se houver perdão. Há uma boa explicação para tudo que sentimos e só queremos que aceitem e acatem. Erramos...
Os sentimentos em tralhas empilhadas, e quando o mundo solicita uma reação, ficamos confusos na bagunça de sermos todo um estoque de emoções misturadas. Então, com o passar de todos os anos, etiquetamos tudo, parafusamos prateleiras e sabemos o que poderá ser usado e quando.
E há sempre um quê de solidão, que é o combustível, que é a luta toda.
E então há poesia, há música, há paixão... Há terror ou um leve toque de suspense. E tantas folhas e tantos galhos que o espaço todo se torna pequeno demais, e a vida toda, longa demais. E as pessoas, importantes demais... Esse é o erro, ou a única coisa certa que há, decidam cada um.
Importar-se ou deixar de se importar é um processo de constante destilação de nossa presença.
As noites em claro são noites ganhadas ou noite perdidas? Perder-se em pensamentos que nos tornam mais conscientes... E rir. Que existe graça em uma desgraça qualquer, e se há o seu ponto de vista, há um outro, e milhares de outros, e há tudo... Apenas rir.
Falar, escrever, explicar, argumentar. Permitir que a alma doa de não lhe caber. Pensar em fugir, sem nem saber aonde se encontra. Definir-se.
Tudo que um dia foi certo demais, hoje vai ser diferente. Tudo que pensamos em dizer e não dissemos, também está feito. Somos o que queremos, o que escrevemos, sobre ontem, hoje e até amanhã.
Contradizemo-nos dizendo a mesma coisa, esperando enquanto vamos. Terminando, mentindo, sonhando... Importando-se muito com o direito que temos de não estar nem aí.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

No oculista

- Pode encostar a testa e o queixo. Olhe na luz vermelha do centro. Pisque. Abra bem grande. Agora não "meixa" e não pisque, não "meixa" e não pisque. Pode piscar. O outro olho. Olhe na luz vermelha do centro. Pisque. Abra bem grande. Agora não "meixa" e não pisque, não "meixa" e não pisque. Pode piscar. (...) Você está bem? Está se sentindo bem?
- Sim. (...) Por que? Tem alguma coisa errada aí?
- Não, está tudo normal. São as perguntas normais.
- Humn...
Eu não devia estar no computador. Mas eu não vou falar sobre o que fazer, então isso é o menos importante.

Estou em algum tipo de intervalo entre estar em algum momento e estar em outro. Num espaço x de tempo em que nada acontece e tudo pode acontecer. No cruzamento de 360 caminhos. E eu girando em círculos...

Eu devia (?!) ter escrito um texto que prometi e não escrevi por que não tive nem tempo e nem idéias boas durante o tempo em que tinha tempo. Peço desculpas...

Há dias, olho as coisas como elas são. E bastam-me e faltam-me, em meu movimento comum de ser apenas o que sou. E tudo que não sou...
Nunca importa que irritem-se por não entenderem o significado obscuro de minhas contradições forçadas, de minhas dúvidas repetidas, dos meus momentos sem significados que eu insisto em dizer que são insignes.

Ligo mais uma vez, dentre as milhões de vezes, a ignição do carro. Dirijo em linha reta até que se faça uma curva e quando me encontro, estou bem aonde parti. E não estou bem, ou estou bem e, para mim, não faz diferença.

E em algum lugar desse caminho, há de haver uma rua que não seja curva, que não leve de volta ao começo, que não traga de volta o que eu deixei para trás. Que seja apenas o que eu quero.

Só isso...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vale a pena preservar a integridade.

Kin 225 - Serpente Auto-existente Vermelha

Defino com o fim de sobreviver
Medindo o instinto
Selo o armazém da força vital
Com o tom auto-existente da forma
Eu sou guiado pelo poder do nascimento
Sou um kin polar. Converto o espectro galáctico vermelho
'Escuto o que diz meu corpo e semeio somente o que o meu coração deseja.'
são apenas nossos quebra-cabeças, podemos nos divertir com eles...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Miss Terious e Sir Cuit - Putz!

Fiquei pensando na expressão "out of the blue" que a minha professora de inglês do colégio não sabia o que significava. E na mesma época eu descobria quais eram os prazeres de ser uma pessoa nesse mundo.

Ela estava voltando para casa, cantarolando algum jazz para tentar não dormir no volante... Entrava com o carro na garagem e alguém saia do prédio. Bateram no vidro.
Ela estava semi-dormindo, então achou que iam sequestrá-la, roubá-la, estuprá-la e tirar-lhe os rins.
O rapaz sorriu.
Por alguns instantes, durante o choque, ela ficou imaginando por que diabos o sádico que ia roubar seus rins estava rindo. E então notou: ela conhecia o sádico dos rins. Ela conhecia o sádico dos rins!! Não só conhecia, como fazia quase uma década que não o via.
Desceu do carro:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!! Que que é isso???!!!!!!!!!!
- E aííí!!!
- Meu, que diabos você está fazendo saindo do meu prédio plena madrugada de 2008?
- Então, cheguei ontem, tava passando aqui na sua rua, quis tentar ver se você ainda morava aqui.
- Chegou da onde???!!!!!!
- Austrália, meu, não acredito que você chegou bem na hora. Aonde você estava?
- Nunca perguntei aonde você estava, não me venha perguntar aonde eu estava! (risos)
- Bom, beleza, tá chique, hein!
- É, tava num bar com uns amigos...
- (risos)
- Mas meu, muita coincidência isso, não? E aí, o que você fez nos últimos dez anos?
- Nossa, temos que sentar em algum lugar e ir de ano em ano, milhões de coisas. E você está trabalhando com que?
- Algo muito chato. E você?
- Cinema, Austrália.
- Putz!
- Putz!
Ficaram olhando um para cara do outro durante vários segundos.
Ela tinha vontade de dizer, "meu amigo, meu amigo, como eu pude me esquecer de você, por que você desapareceu, que saudade eu estava de nossas conversas".
- Quando você volta para lá?
- Daqui dois meses.
- Putz!
- Putz!
Eles não sabiam o que dizer. Havia tanta coisa que, na síntese, não restava nada. Haviam vivido tantas coisas, que era como se nunca tivessem se separado, mas aquele longo intervalo de tempo, em que tudo aconteceu, deixava apenas silêncio em suas bocas e êxtase no olhar.
- Vamos tomar alguma coisa.
- Vamos amanhã, no fim de semana, hoje não dá. Tenho que trabalhar amanhã.
- Ah, você tá falando sério?
- Tô! Vamos amanhã!
- Tá bom, me dá seu telefone.
Ela escreveu num guardanapo do Mac que estava no porta-luvas.
- Nossa, muito legal te encontrar chegando, quatro da manhã.
- Incrível, né.
- Quero te contar tudo que aconteceu comigo, por que a gente não se falou mais... Você vai enlouquecer.
- Ai, então não conta que eu já tô dando trabalho para muita gente com a minha loucura.
- Quem sabe você não pára.
- Tá! Me liga, vou entrar...
- Ligo, vai, boa noite, muita saudade de você.
- Vai passar, vai passar. (risos)
- Putz!
- Putz!
Ela entrou no prédio.
 
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